Essa época de carnaval é boa, eu particularmente adoro. Não, eu não me refiro as festas e a "folia", eu gosto mesmo é desse tempo que me sobra, sem trabalho, sem faculdade e sem ter que fazer nada por obrigação. Aliás, não entendo quem fica só reclamando desses quatro dias, que mania deprimente de só ver o lado ruim das coisas...


Dizem que o carnaval daqui é um dos melhores do sul de minas, dobra-se o numero de habitantes e até o transito nessa pequena e pacata cidade fica irreconhecível. Na verdade isso pouco me importa. Eu quero é aproveitar o tempo pra estudar, assistir séries, dormir, descansar e me preparar pro ano que começa depois dessa festa.

Bom descanso pra quem vai descansar, festa pra quem vai festar e bom trabalho pra quem vive a infeliz realidade de ter que ralar enquanto o resto do país chuta o balde. É, nem todos têm o mundo da mesma cor.

(8) Ao som de Sooner Or Later - Mat Kearney
Essa vida, que volta e meia nos faz escolher entre permanecer no sofrimento ou lutar contra nós mesmos e deixar ir o que tanto insistimos pra ficar. E nós, que recusamos a verdade e continuamos segurando algo que definitivamente já se foi e que, talvez, nunca esteve realmente aqui.


Deixar ir não é simplesmente abrir a gaiola e libertar o pássaro aprisionado. É aceitar um fim e abrir portas pra possibilidade de um começo, é tentar esquecer que começar sempre, cansa. Toda aquela expectativa pra que dê certo, todas as tentativas pra manter e continuar, toda esperança que sustentamos pra que seja mais fácil sobreviver por mais um dia e pra que nesse dia não exista mais um fim. Esse fim que te faz aceitar seguir em frente mesmo sem entender, porque ficar parado procurando respostas muitas vezes te cega, e uma vez cega, estagnar e lamentar se torna mais fácil que lutar. Mas não é justo, a estagnação pode até te fazer acostumar com a dor e se adaptar a ela, mas a felicidade encontra-se bem distante da conformidade.

A dor é inevitável, as coisas perdem o sentido, a esperança é persistente, mas é preciso deixar ir... Deixar o tempo curar, buscar outros focos, seguir em frente, porque, por mais estranho que pareça, felizmente, eternizar essa dor é uma escolha.

(8) Ao som de  Holding On And Letting Go - Ross Copperman
Eu estava lendo alguns textos da Ana Jácomo essa semana e um em especial me chamou muito a atenção. Dizia que as vezes o tempo despenteia várias certezas que temos. E olha, quantas certezas eu já tive e hoje não entendo como pude estar tão certa sobre coisas tão incertas. O tempo realmente desmanchou muitas das minhas crenças, e mesmo que tenha sido doloroso compreender as mudanças e acontecimentos naquele momento, nada se compara a graça que eu sinto agora por ter me livrado de verdades que tanto me enganavam e me prendiam...


[...] O tempo, de vento em vento, desmanchou o penteado arrumadinho de várias certezas que eu tinha, e algumas vezes descabelou completamente a minha alma. Mesmo que isso tenha me assustado muito aqui e ali, no somatório de tudo, foi graça, alívio e abertura.
- Ana Jácomo

(8) Ao som de Beautiful - Kari Jobe