Essa vida, que volta e meia nos faz escolher entre permanecer no sofrimento ou lutar contra nós mesmos e deixar ir o que tanto insistimos pra ficar. E nós, que recusamos a verdade e continuamos segurando algo que definitivamente já se foi e que, talvez, nunca esteve realmente aqui.

Deixar ir não é simplesmente abrir a gaiola e libertar o pássaro aprisionado. É aceitar um fim e abrir portas pra possibilidade de um começo, é tentar esquecer que começar sempre, cansa. Toda aquela expectativa pra que dê certo, todas as tentativas pra manter e continuar, toda esperança que sustentamos pra que seja mais fácil sobreviver por mais um dia e pra que nesse dia não exista mais um fim. Esse fim que te faz aceitar seguir em frente mesmo sem entender, porque ficar parado procurando respostas muitas vezes te cega, e uma vez cega, estagnar e lamentar se torna mais fácil que lutar. Mas não é justo, a estagnação pode até te fazer acostumar com a dor e se adaptar a ela, mas a felicidade encontra-se bem distante da conformidade.

A dor é inevitável, as coisas perdem o sentido, a esperança é persistente, mas é preciso deixar ir... Deixar o tempo curar, buscar outros focos, seguir em frente, porque, por mais estranho que pareça, felizmente, eternizar essa dor é uma escolha.

(8) Ao som de  Holding On And Letting Go - Ross Copperman
Eu estava lendo alguns textos da Ana Jácomo essa semana e um em especial me chamou muito a atenção. Dizia que as vezes o tempo despenteia várias certezas que temos. E olha, quantas certezas eu já tive e hoje não entendo como pude estar tão certa sobre coisas tão incertas. O tempo realmente desmanchou muitas das minhas crenças, e mesmo que tenha sido doloroso compreender as mudanças e acontecimentos naquele momento, nada se compara a graça que eu sinto agora por ter me livrado de verdades que tanto me enganavam e me prendiam...


[...] O tempo, de vento em vento, desmanchou o penteado arrumadinho de várias certezas que eu tinha, e algumas vezes descabelou completamente a minha alma. Mesmo que isso tenha me assustado muito aqui e ali, no somatório de tudo, foi graça, alívio e abertura.
- Ana Jácomo

(8) Ao som de Beautiful - Kari Jobe
Perdoar é difícil, eu sei. Envolve todo um processo de tentar ressignificar um erro, de procurar justificativas e quem sabe até compreender e dar uma segunda chance...
O verdadeiro perdão exige renúncia de um mecanismo de defesa que na maioria das vezes podemos chamar de orgulho, exige amor ao próximo. Na verdade, não se busca o perdão na justificativa ou num novo olhar sobre o problema, o perdão está em enxergar o erro do jeito que ele é, uma falha, um desapontamento, uma fraqueza, e ainda assim, perdoar. Não é fácil, é o que muitos dizem... Mas quer saber, já faz muito tempo que perdoar deixou de ser um problema pra mim. Eu já estive dos dois lados e reconheço, pode ser difícil, mas quem disse que se arrepender é fácil? Eu me lembro exatamente da primeira vez que precisei reconhecer o meu erro e me sujeitar a suplica do perdão. Desde então, a coragem que existe por traz de um ato de arrependimento me fascina  de tal forma que transforma o meu perdão em simplicidade.

É tudo sobre o orgulho... Pedir ou dar perdão não acontece com egoísmo, não se for de verdade. É questão de abandonar a vaidade e dar espaço a miséria, é agir tão humildemente quanto possível.

(8) Ao som de Some Streets Lead Nowhere - Matthew Ryan